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O JULGAMENTO DO CHICO CACHENÉ - Teatro Ibérico

popularfm_o julgamentoO JULGAMENTO DO CHICO CACHENÉ

Domingos às 17h - até 17 de Junho

Teatro Ibérico - Lisboa

 

Comédia musical em fado de João Linhares Barbosa

Em 1945, Linhares Barbosa escreveu um «auto poético fadista»  intitulado «O Julgamento do Chico do Cachené». Tudo começou quando um grupo de amigos, dos quais faziam parte o artista plástico e boémio D. Tomás José de Melo (Tom) e Linhares Barbosa, saiu da Adega Machado após um animado almoço. Um ferro-velho ambulante expunha num carrinho várias bugigangas, onde Tom divisou um boneco de madeira, nu, com cerca de meio-metro de altura. Comprou-o, sob as piadas dos amigos. Dias depois, apareceu no «Machado» com o boneco vestido à «faia», de jaqueta, calça de boca-de-sino, bota «afiambrada», chapéu à banda e «cache-nez» de seda ao pescoço. Armando Machado pô-lo numa peanha em local bem visível e mestre Linhares batizou-o de «Chico do Cachené».

Mais uns tempos passados e o mesmo grupo divertia-se a fazer comentários ao «Chico», uns acusando-o de ser um estroina, bêbado, sem ocupação senão a de estar na sua peanha a ouvir fados, vivendo à custa de uma mulher (a Micas); outros defendendo-o, alegando que tinha sido um desgosto de amor, ele nem era mau rapaz…

Então, Linhares Barbosa propôs fazer-se-lhe um julgamento em forma, para o que escreveria os depoimentos da acusação, da defesa, a sentença, tudo em letras de fado, a fim de ser cantado ali mesmo. Estreou-se este auto poético fadista em 28 de Julho de 1945, às 15h00, na Adega Machado. Em 25 de Maio de 1948 foi de novo levado à cena, no Café  Luso.

Depois, caiu no esquecimento, as letras perderam-se, havendo apenas excertos publicados na Guitarra de Portugal, n.º 5, de 15 de Agosto e 1945.

Encontradas, na íntegra, nos arquivos de Francisco Mendes, no âmbito das atividades da Associação Portuguesa de Amigos do Fado (APAF) foi o auto encenado por José Manuel Osório em 1999, sendo representado na mesma Adega Machado onde nascera, na Adega Mesquita, A Severa, Café  Luso, Clube de Fado, O Faia, O Timpanas, Restaurante Senhor Vinho, Sociedade A Voz do Operário e Taverna do Embuçado. No ano seguinte subiu à  cena no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém. É agora reposto no Teatro Ibérico, sob a forma de "comédia musical em fado", já que os acusadores e os defensores do Chico e da Micas adquirem personalidade.

Programa:

1ª parte – Fados e Guitarradas    20 minutos

Intervalo      10 minutos

2ª parte – O Julgamento do Chico do Cachené  70 minutos

Eventos

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